será que fiz o que precisava ser feito? […]





O ano acaba de dobrar em uma esquina que eu gosto. Mais para a frente virá uma rua comprida, arborizada, cheia de flores e folhas de um verde vivo. Um colorido sem fim misturado com os mais variados cheiros e sons de pássaros cantarolando, borboletas e abelhas passeando livres.  Ali no outro quarteirão já está o mês que eu morro de carinho e amor: outubro. Por enquanto pode parecer loucura eu já tocar no nome dele, mas nesta época tudo passa num piscar de olhos. Sei que ele vai chegar apressado, me aquecendo, brindando comigo, fazendo festa, avisando que estou mais madura, inteira, precisa. Também vai trazer na mala um megafone, avisando que o fim do ano se aproxima e traz consigo todas as crises existenciais possíveis. No meio delas a pergunta que nunca dorme ou tira férias: será que fiz o que precisava ser feito? […]
Clarisse Corrêa